Não se Esqueça de Steven

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Capítulo 1

STEVEN FICOU PARADO FORA DE CASA por um momento antes de entrar.  A casa estava quieta, sem gritos, música alta ou TV ligada.  A bicicleta do Jack e o carro do Russ estavam estacionados na entrada, então, eles, pelo menos, estavam em casa. Estava começando a escurecer lá fora e Steven era confrontado por seu reflexo no vidro da porta antes de abri-la. Alto para sua idade e magro demais, seus tufos de cabelo escuro são um tanto longos e indisciplinados, olhos escuros que, às vezes, até o espantam com sua intensidade quando ele se vê de relance. Steven soltou o ar vagarosamente, abriu a porta com firmeza e entrou.  

Não importa por onde ele entre, seja pela porta da frente ou dos fundos – e ele sempre usa a dos fundos – ele tem que passar pela sala para chegar ao corredor que dá para os quartos, o que significa que ele sempre estava exposto, mesmo que por poucos segundos, ao contornar os limites da sala antes de chegar à segurança de seu quarto. Steven vagou silenciosamente pelo chão grudento da cozinha com seus tênis gastos e, receosamente, espiou a sala. O brilho da TV preencheu a sala com uma luz azul que piscava e uma música dramática. Não é um filme selvagem ou violento, algo mais quieto, provavelmente algum tipo de pornô. Ele não conseguia ver a cadeira do Russ da cozinha, mas ele conseguia ver Jack no sofá, enterrado em uma sessão de amasso com uma garota.  Era um bom sinal. Se os dois tiverem garotas, eles provavelmente não irão perturbar Steven. O perfume barato da garota se espalhou até a cozinha o fazendo querer vomitar. 

Steven engoliu pesadamente e baixou seus olhos para seus sapatos gastos e esburacados e, caminhou rapidamente para o quarto. Ele esperava que se os olhos deles não encontrassem os seus, ele poderia permanecer invisível, não atrair nenhuma atenção. Ele esperava que eles fossem continuar com o que eles estavam fazendo e deixá-lo em paz.   

Funcionou. Ele nunca sabia quando funcionaria ou quando a sala iria explodir ao seu redor. Steven caminhou na ponta dos pés até o seu quarto e fechou a porta silenciosamente. 

Seu coração estava na boca, Steven soltou o ar e largou seus livros da escola em cima da cama. Ele foi até o guarda-roupa, abriu uma gaveta e tateou no fundo, embaixo de suas camisetas, procurando a garrafa.  Ele abriu a tampa e deitou na cama, arrancando uma das capas dos livros e se fechando para o resto do mundo.

* * *

Leo ficou parado observando a porta de Steven esperando ele sair. Steven estava atrasado, como sempre. Quando o rapaz magro e alto finalmente saiu cabisbaixo pela porta, eles já estavam meia hora atrasados para a escola. Steven usava óculos escuros e levava seus livros embaixo do braço.

“Oi Leo”, ele cumprimentou baixo.

“Oi Stevie, novidades?” Leo perguntou, tirando dos olhos seus cabelos que eram mais longos e mais claros do que os do Steven. 

“Nada”, Steven falou encolhendo os ombros. “Como estão as coisas?”

“Legais, exceto que você está atrasado de novo,” Apontou Leo.

Leo pegou nos óculos de Steven puxando-os para baixo a fim de ver seus olhos. Steven apertou os olhos com a luz forte do sol e os tapou com a mão. “Ei, Leo!”

Leo balançou a cabeça. “Ressaca, hein?”

Steven encolheu os ombros. “É, acho que sim”, ele concordou, dolorosamente, ao colocar seus óculos novamente.

“Melhor irmos para a escola.”

Steven concordou e eles seguiram seu caminho.

Steven entrou cabisbaixo na sala de ciências e se dobrou em sua carteira. O senhor Bennet parou a aula e o observou sentar.

“Você está atrasado, McCoy”, ele apontou.

“Eu sei”, Steven concordou colocando seus livros no chão.

“A aula está quase acabando. Você trouxe um bilhete?”

“Não.” Alguma vez Steven já trouxe um bilhete de casa?

“Por que você está atrasado?” Bennet perguntou com um tom de frustração em sua voz.

“Dormi demais,” Steven respondeu categoricamente.

Dava para ouvir risadas ao redor da sala. Steven não se importava com o que os outros alunos pensavam dele. Eles podem rir o quanto quiserem.

“Você tem se atrasado para esta aula vezes demais,” Bennet continuou. “Você já considerou trancar essa matéria?”

Steven encolheu os ombros.

“Eu falo com você mais tarde,” disse Bennet balançando a cabeça e se voltando para o quadro-negro a fim de continuar a aula.

Steven colocou a cabeça nos braços, dobrando-se na carteira. Ele fechou os olhos e escutou o professor tagarelar.

Cedo demais, o sinal o tirou de seu cochilo. Ele sentou alongando seus músculos rígidos. Ele deu uma olhada para o senhor Bennet para ver se teria que ficar após a aula. Bennett estava ocupado apagando o quadro sem prestar nenhuma atenção em Steven que então pegou seus livros e foi para a próxima aula.

O ar da cantina estava pesado com o cheiro de gordura e o burburinho de centenas de conversas. Steven estava sentado sozinho com os cotovelos apoiados em uma das longas mesas. O sanduíche que segurava com as duas mãos ocupava toda sua atenção.  Sasha foi até ele e sentou à sua frente colocando seus livros na mesa.

“Oi Stevie”, ela cumprimentou.

Steven deu uma olhada em seu rosto sorridente de fada emoldurado pelos cabelos vermelhos que caem sobre ombro. “Oi, Sash”, ele cumprimentou entre uma mordida do sanduíche.

“O que eles estão servindo hoje?”

Steven encolheu os ombros, dando outra mordida em seu sanduíche. Sasha o observou comendo por um minuto, sua mandíbula ocupada mastigando, seus olhos azul-claros brilhando.

“Isso vai ser o suficiente para você?” ela perguntou.

“Vai ter que ser,” apontou Steven. Sasha sabia que ele não tinha dinheiro para comprar mais nada e que não tinha nenhuma comida para trazer de casa. O programa de almoço da escola só oferecia porções limitadas e não incluía nenhuma das comidas quentes que a cantina preparava cujo aroma pairava tentadoramente no ar.

“Eu pego alguma coisa para você, se você quiser,” ela ofereceu.

“Como quiser”, ele concordou com um encolher de ombros.

Ele não se orgulhava em receber comida de uma amiga, mas no fim das contas, o almoço era, geralmente, a única refeição que ele comia o dia todo. Sasha concordou e foi para o balcão da cantina.

Um garoto que Steven não conhecia, loiro com um rosto grande e rosado, estava sentado perto. Ele olhou com desprezo para Steven. “Você deixa sua garota comprar almoço para você?” Perguntou com um olhar zombeteiro.

Steven se surpreendeu pela interrupção. Ele deu uma boa olhada para o garoto, avaliando-o. O garoto não era particularmente grande ou bem desenvolvido.  Steven sabia que rapazes magros, mas firmes, podem ser fortes, como Russ, mas este garoto parecia molenga.

“É isso.” Steven concordou com um tom controlado, mas firme.

“Você não tem nenhum orgulho, cara?”

“Não”

“Você é patético.”

Steven socou a última mordida de seu sanduíche na boca e levantou. Ele agarrou a cabeleira loira e desgrenhada do garoto, forçando o a ficar em pé.  “Terminou?”

O garoto lutou, mas somente conseguiu se machucar mais ainda e então ficou parado. “Largue!” ele insistiu.

“Acho que não.” Steven respondeu com calma. “Eu não gosto de você.”

“Peraí cara! Eu só estava brincando!”, ele protestou engolindo um riso nervoso e abafado.

Steven puxou forte empurrando a cabeça do garoto para trás. “Eu não tenho senso de humor. Entendeu?” ele perguntou, tentando manter sua voz baixa e equilibrada.

“Sim, desculpa cara, só me larga!” o garoto gemeu.

Steven o soltou vagarosamente. O outro garoto vacilou e então saiu cambaleando. Steven olhou ao redor da cantina enquanto se mantinha em pé e segurava o ataque.  Seu instinto provou estar certo — o diretor estava acabando de entrar na cantina. Ele estava um pouco acima do peso, era um pouco careca e vestia um terno marrom aparentemente desconfortável, cor que, certamente, não combinava com ele. Steven olhou para o garoto.

“Por que você não desiste?”

“Você é covarde também?” o garoto o insultou, seu rosto rosado, agora estava roxo de raiva.

Steven bloqueou outro soco. O garoto rodeou mais perto.

“Vamos lá, lute! Você é um boiola covarde?” Ele insultou exaltado. “Sua garota luta por você também?”

Steven se afastou. O garoto quase morreu de susto quando o diretor colocou a mão em seu ombro para pará-lo.

“Você realmente faz os outros lutarem por você!” comentou o garoto incrédulo. Ele ficou tenso e se voltou para lutar. Quando viu quem era, abaixou os punhos e a cor fugiu de seu rosto.

“Eu acho que você acabou de ganhar uma suspensão,” o diretor anunciou seriamente. “Vá até o escritório da direção, eu te encontro lá e escrevo a suspensão.”

O garoto olhou para Steven. “Isso ainda não terminou,” ele alertou com firmeza.

Steven concordou. O garoto saiu em disparada da cantina. O diretor estudou Steven que pôde sentir o cheiro de fumaça de cigarro nas roupas dele. “Com problemas novamente, McCoy.”

“Eu não estava lutando. Ele estava,” apontou Steven.

“Esta vez pode ser, porque você me viu chegar.”

Steven ergueu as sobrancelhas e sentou à mesa para comer o que restou do almoço do garoto. “E aí se eu lutei?” ele perguntou.

“Ouvi que você chegou atrasado hoje de novo.”

“O que mais é novidade?” Steven pegou o sanduíche e deu uma grande mordida.

“Você não vai se sair bem aqui se chegar sempre atrasado. Eu sei que estou falando sozinho aqui, mas gostaria de poder fazer algo para te convencer a importância da escola.” disse o diretor com sinceridade.

“Eu venho, não venho?” rebateu Steven.

“Talvez sim”, admitiu o diretor. “Mas não tenho certeza do por quê. Eu não acho que você está aprendendo alguma coisa Você tem que fazer mais do que apenas vir para a escola para receber um diploma.”

“Estou sendo suspenso?” perguntou Steven.

“Não dessa vez,” o homem suspirou.

“Sendo expulso?” Steven persistiu obstinadamente.

“Você sabe que eu não faria isso sem uma boa razão.”

“Então se você não se importa,” respondeu Steven irritadamente, “Eu gostaria de comer meu almoço para que eu possa chegar a tempo na minha próxima aula.”

O homem o encarou em silêncio por um momento. Steven mastigava seu sanduíche não se sentido intimidado. O diretor virou-se para ir.

“Ficarei de olho em você, McCoy” ele respondeu.

“Também ficarei de olho em você,” Steven rebateu secamente.

O diretor sorriu ironicamente, balançou a cabeça e foi para seu escritório.

Steven estava terminando as batatas fritas do garoto quando Sasha voltou.

“O que foi toda essa agitação?” ela perguntou sorrindo. “O que você fez para deixar Potter furioso?”

“É esse o nome dele?” Steven perguntou desatentamente.

“É! Você não sabia nem quem ele era?” rebateu ela incrédula.

“Claro, ele disse: ‘Oi, eu sou Potter e eu vou acabar com você’.”

“Tá bom, tá bom. Achei que vocês se conheciam, só isso. Eu não costumo brigar com pessoas que não conheço.”

“É, bem, eu brigo com basicamente qualquer um,” “Ele presta, já que você o conhece?”

“Eu não o conheço”, Sasha esclareceu. “Eu só sei o nome dele. Ele é durão, eu acho, e tem muitos amigos.”

“Bem, eu tenho amigos também,” respondeu Steven, apesar de seu círculo de amigos se limitar a Leo e Sasha. E Sasha não era de briga.

Sasha entregou a Steven uma maçã e uma tigela de sopa. “Algo bom para você.”

“Obrigada,” respondeu ele, pegando imediatamente.

Sasha sentou. Ela se aproximou dele e pegou sua mão. Steven puxou a mão com seu toque. Sasha tirou sua mão lentamente, observando-o.

“Sabe, eu realmente estou preocupada com você ultimamente…” começou ela e então, parou, mordendo seus lábios e baixando o olhar para suas mãos pequenas.

“Por quê?” Perguntou Steven balançando a cabeça.. Ele tirou a tampa da tigela e inspirou, com muita fome, seu aroma doce e apimentado.

“Bem, você sabe… o jeito que é na sua casa e, você bebendo tanto…” ela divagou arrancando da mesa um pedaço de comida endurecido.

Steven olhou ao redor e se inclinou para ela. “Sasha!” Você não precisa anunciar isso!” ele protestou resmungando baixo.

“Mas eu estou preocupada,” ela insistiu olhando em seus olhos. Steven olhou para sua sopa, tomando colheradas rápidas o suficiente para não se queimar.

“Nada mudou,” respondeu Steven. “Por que trazer isso de volta agora?”

“Está piorando.”

“Não está tão ruim assim,” ele assegurou.

“Está sim. Estou com medo de um dia vir à escola e você não estar aqui. Nunca mais.”

“Isso não vai acontecer.”

Seus ouvidos estavam queimando e ele continuou a fitar sua sopa.

“Leo também está preocupado” Sasha continuou.

“Nada preocupa o Leo,” Steven negou.

“Você sim. Cada vez que ele te espera na esquina e você se atrasa…”

“Deixa pra lá.” Steven insistiu olhando ao redor novamente para ter certeza que ninguém estava ouvindo. Mas Sasha era persistente e continuou.

“Nós sempre nos preocupamos se você está no hospital ou em casa nocauteado, ou desmaiado…”

“Sasha,” ele disse com um tom baixo, mas intenso. “Deixa quieto.”

Sasha parou de falar. Steven continuou a comer. Ele deu uma olhada para ela após alguns minutos de silêncio. Seu sorriso irônico costumeiro tinha sumido, seus olhos estavam tristes.

“O que você quer que eu faça?” perguntou irritado “Fuja de casa?” De que modo a vida nas ruas vai ser melhor? “Só diga, o que você quer que eu faça?”

“Fale com alguém” Sasha sugeriu. “Um profissional. E pare de beber”

“Procurar algum psicólogo ou assistente social e ficar sóbrio. É… isso realmente vai melhorar a minha vida” Steven riu amargamente. Ele se afastou da mesa após terminar a sopa. Pegou a mação se preparando para sair. “Minha vida é uma bagunça que não tem como arrumar”.

Sasha ficou quieta com lágrimas nos olhos. Steven olhou para ela, inclinou levemente a cabeça para o lado coçando a base da cabeça.  “Olha, eu sei que você só está tentando ajudar, Sash, mas, acredite, se tivesse qualquer coisa que eu pudesse fazer para melhorar a minha vida, eu faria. Mas eu sou praticamente uma causa perdida então não fique falando desse assunto.

Sasha suspirou. “Você não é uma causa perdida”, ela insistiu.

Steven se levantou da mesa

“Steven estava dividido entre passar mais tempo com Leo ou ir para casa. Ele odiava ter que deixar seus amigos tão cedo, mas também sabia que se chegasse em casa tarde, não teria como evitar as consequências. Se ele fosse para casa a tempo, pelo menos, ele provavelmente poderia ir para seu quarto e beber a noite toda sozinho. Ele não gostava de beber na frente de seus amigos — especialmente depois do pequeno sermão de Sasha. Leo percebeu que ele olhou novamente para o relógio do shopping novamente e o aconselhou a não ir para casa.

“Vamos lá cara. Você pode ficar na minha casa.” Leo insistiu. Ele bateu maliciosamente com os ombros em Steven, “ou na casa da Sasha”, falou arrastando o nome dela e erguendo as sobrancelhas.  “Você não precisa voltar hoje a noite.”

“Não…” protestou Steven. “Eu tenho que ir para casa.”

“Por quanto tempo você ainda terá sorte?” perguntou Leo erguendo suas mãos. “Fique com um de nós esta vez.”

“Eu não posso Leo. Tenho muita tarefa essa noite,” Steven olhou para o relógio. “Eu tenho que ir para casa.”

“A vida é tua.” Leo suspirou desistindo.

“Minha vida bagunçada”, Steven reconheceu em pensamento. mas não falou

“Tá bom… Te vejo amanhã”

Todos os carros estavam estacionados na entrada de casa. Steven olhou para o céu riscado de laranja, as sombras crescendo, e um nó apertado se formou em seu estômago.

Os quatro homens estavam na sala. Sem garotas desta vez, muitas latas vazias e amassadas espalhadas pelo chão. O cheiro de suor vencido e cerveja preenchia a casa toda. Dix estava sentado de lado em uma cadeira, os braços abraçando as pernas. Seu olhar estava vagando para longe da TV. Ele foi o primeiro a ver Steven espiando na porta. Ele deu a Steven um meio sorriso divertido. Dix tinha cabelos escuros espetados, um pouco de barba por fazer e olhos azuis como o céu.  Steven geralmente se perguntava o que ele estava pensando. Dix era o mais novo, mais próximo de idade com Steven do que os outros, mas Steven nunca conseguia dizer se ele o trataria decentemente ou iria se unir aos maus tratos com os outros.  Às vezes o olhar de Dix era distante, muito longe, como se ele estivesse sonhando com alguma coisa que ninguém mais podia ver.

Próximo a Dix estava Jack. Só de olhar para ele, Steven teve que engolir o medo, um grande caroço queimava em sua garganta. Jack era tão ruim quanto Russ. Ele sempre estava de bom humor, rindo de tudo, aquela risada cruel e zombeteira. Como se a coisa mais engraçada do mundo fosse alguém se machucar. Tinha olhos escuros, ferozes e cruéis que se enrugavam nos cantos quando ria. Sempre com um cigarro na boca, seus lindos cabelos ondulados jogados para o lado o fazem parecer um artista de filme de romance. Mas ninguém nunca confundiu seu comportamento alegre como sendo de boa índole. Era como olhar para a risada de um demônio. Sua barba por fazer era mais cheia do que a de Dix, ela percorria toda a linha da mandíbula, deixando as bochechas sem barba.

Steven mal conseguia ver Mitch. Ele era um pouco diferente dos outros. Mais relaxado, não tão intenso. Era atento e imprudente, uma combinação estranha de se entender com tudo ao seu redor, tinha uma atitude ousada e desafiadora. Parecia que ele não tinha se barbeado em vários dias. Seu cabelo era uma bagunça encantadora, ele provavelmente passou uma hora tentando fazer parecer que ele não se importava com sua aparência.  Quando Mitch sorria convidativamente ou piscava maliciosamente seus olhos escuros… Toda garota por perto desmaiava.  Mitch percebeu a presença de Steven também, mas não sorriu como Dix. Ele somente ergueu a lata de cerveja e, pensativo, tomou um gole, observando Steven.

Steven não conseguia ver Russ de onde estava. Ele estava no canto, fora de seu campo de visão. Mas Steven conseguia sentir sua presença e pôde ouvi-lo quando ele fez um comentário sobre algo que passava na TV ou sobre um dos outros rapazes. Steven podia ver o rosto de Russ em sua mente. Comprido e magro, sério, queixo pontudo e sombras embaixo dos olhos como se não estivesse dormindo ou comendo, desperdício de aparência. Apesar de ser pequeno, ele era magro, mas imensamente forte. Steven sabia que ele era o mais forte e o mais nojento de todos eles. Seus olhos eram verdes, mas ele não era bonito, você sabia no momento que o via que ele era o demônio em pessoa. Malícia e depravação pura e inalterada.

Steven respirou profundamente, engoliu e tentou manter-se invisível enquanto caminhava curvado pela sala até os fundos da casa. Mitch jogou sua lata de cerveja meio cheia na direção de Steven, que bateu em suas costas e espirrou o líquido em seu rosto.

“Aonde acha que está indo com tanta pressa?” ele exigiu.

“Só para o meu quarto.” Steven disse tentando continuar andando.

“Não, eu acho que não. Você passa tempo demais sozinho naquele seu quarto.”

“Eu tenho tarefa,” Steven protestou, mostrando seus livros.

“Quem você acha que está enganando? Quem aqui acha que o pequeno Stevie realmente faz sua tarefa quando ele chega em casa?”

Comentários irônicos explodiram por toda parte.

“Venha nos dar o prazer de sua companhia,” sugeriu Dix. “Vamos lá, nós não te vemos quase nunca garoto. Temos alguns vídeos hoje à noite.”

Steven tentou engolir o caroço de medo que se formou em sua garganta. Ele analisou seus rostos desesperadamente procurando qualquer indício do humor que estivessem hoje. Ele sabia que estaria desafiando o destino se recusasse, mas provavelmente, até o final do filme eles estariam tão bêbados que iriam espancá-lo mesmo se fizesse o que eles disseram.

“Se você não vier até aqui e aproveitar esse filme conosco…” Russ começou em um tom baixo, mas ameaçador.

Russ assustava Steven mais do que todos os outros juntos. Sua voz enviou uma descarga elétrica em Steven estimulando-o a agir.

“Eu só vou guardar meus livros,” ele disse rapidamente, indo na direção do seu quarto novamente.

Se ele conseguisse chegar lá, fechar a porta e empurrar o armário e a cama contra a porta…

Steven ouviu um deles se levantar e se lançou desesperadamente para a segurança do seu quarto. Uma mão se fechou ao redor do colarinho da sua jaqueta, sacudindo-o bruscamente e o imobilizando com um empurrão que o fez sufocar. Steven não tentou se defender.

“Eu só vou guardar meus livros,” ele disse razoavelmente, tentando esconder sua respiração pesada.

“Você acha que é melhor que nós?” Perguntou Jack com sua voz áspera. Ele riu. “Você acha que tem melhor companhia que nós? “Você é lixo garoto. Você é lixo do esgoto, tanto quanto qualquer um de nós.” Agora coloca sua bunda idiota aqui ou eu arranco a sua pele.”

O coração de Steven estava batendo acelerado. Ele não conseguia recuperar o fôlego.

“Desculpe.” Steven disse em um tom partido. “Eu iria voltar.”

Jack socou os livros para longe dos braços de Steven, que caíram no corredor. Ele deu um tapa forte na bochecha de Steven. Doeu e o rosto de Steven queimou com a humilhação.

“Vá aproveitar o filme.” Jack zombou.

Steven foi à frente dele para a sala da TV. Os outros sorriram sarcasticamente quando o viram entrando como um cachorro que acabou de ser chicoteado.

“Ei, ei, bebê Stevie. Venha aqui aproveitar o filme conosco, hein?” Zombou Dix.

“Tá,” Concordou Steven e se jogou deprimido na velha cadeira embolorada. Eles tinham um dos filmes ligados e Steven mal conseguia olhar para a tela. O que eles estavam assistindo era um filme pornográfico, pelo que parecia, e o que estava próximo ao seu pé era um pornô “triple-x”. Ele pegou uma das latas de cerveja e abriu. Se ele iria poluir sua mente com essa nojeira, ele poderia muito bem também poluir seu corpo. Quem sabe ele ficaria bêbado o suficiente para bloquear tudo e, até o final dos filmes, quem sabe, ele estaria bêbado o suficiente para não sentir nada.


I hope you enjoyed this sample of

Não se Esqueça de Steven

By P.D. Workman

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